Hospital de Santarém perto do limite

Hospital de Santarém perto do limite

O Presidente do Conselho Regional do Sul alertou para a situação “muito grave” da Medicina Interna do Hospital de Santarém, após uma visita àquela unidade de saúde, no dia 24 de maio. Paulo Simões reuniu-se com a administração e visitou os serviços de Medicina Interna e de Urgência, com o Tesoureiro da Região Sul, Luís Campos Pinheiro. A secretária regional de Lisboa do Sindicato Independente dos Médicos, Maria João Tiago, acompanhou também a visita.

 

A deslocação ao Hospital Distrital de Santarém (HDS) foi marcada na sequência de várias cartas, emails e pedidos de escusa de responsabilidade enviados para a Ordem pelos médicos da unidade. No final, Paulo Simões disse que a situação no hospital “está a aproximar-se do limite do que é exequível para o serviço funcionar”. O Presidente do Conselho Regional do Sul referiu que foi “o grito de alerta dos internistas” que motivou a sua presença.  

Recordando que a Medicina Interna do HDS conta atualmente com 170 camas, Paulo Simões afirmou que, dos 40 especialistas que seriam necessários para assegurar o internamento e a urgência geral, apenas existem 17, além de 11 internos, tornando-se, assim, “normal e expectável que não consigam responder às necessidades dos doentes”.

O dirigente explicou que, “portanto, estamos perante uma situação muito grave”, lembrando que se aproxima o período de férias, com “uma redução ainda maior do número de médicos disponíveis para assegurar o normal funcionamento dos serviços”.

O Presidente do Conselho Regional do Sul considerou que o número reduzido de médicos tem como causa principal “não haver atratividade para os jovens se fixarem na região”, acrescentando que “o problema passa também por, provavelmente, não existir um estímulo para esses médicos”. A verdade é que esta situação irá “comprometer, nos próximos anos, aquilo que é o futuro deste hospital, porque a Medicina Interna é um pilar”, disse.

Paulo Simões referiu ainda ter saído da visita ao HDS “com muitas preocupações”, por não existir “nenhum plano de contingência para ultrapassar esta situação” e recear que, ao manter-se o número de camas para internamento na Medicina Interna, os doentes possam não ter a assistência devida. “Há aqui claramente um problema grave que convém que seja apontado a dedo e se tomem medidas, quer a nível do novo CEO do Serviço Nacional de Saúde, quer do próprio Ministério da Saúde”, declarou.

Paulo Simões recordou também os problemas no serviço de Urgência, em particular a “pressão enorme da Ortopedia”, que conta atualmente com cinco médicos, mais dois contratados, aposentados, “que obviamente não chegam para dar cobertura nos sete dias da semana”, acabando as “situações do dia-a-dia, nomeadamente o mono trauma”, por ser asseguradas pela Medicina, aumentando a carga sobre os médicos, tornando a resposta “humanamente impossível”.

Além disso, apontou a situação da Urologia, com três médicos, que “dá uma resposta pontual” entre as 18h00 e as 20h00. “Duas horas por dia é melhor do que nada, mas o que são estas duas horas?”, perguntou, afirmando que esta é uma realidade que se estende a outras áreas, como, por exemplo, a Gastrenterologia. “Estamos a chegar realmente ao mínimo dos mínimos”, concluiu.

24 de maio de 2023

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